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O lado positivo das emoções negativas

Semana passada, ao falar sobre como evitar o estresse, mencionei que alguns sentimentos ruins possuem funções importantes em nossa saúde emocional, pois nos alertam sobre determinadas situações que, se não receberem a devida atenção, podem crescer a afetar prejudicialmente nossa saúde mental.

 

Dra. Alice de Carvalho, nossa colega no programa Quem Manda São Elas, que vai ao ar toda segunda-feira, às 20 horas, também falou sobre isso quando discutimos sobre positividade tóxica.

 

No site Golfinho encontrei a melhor metáfora para as emoções negativas. Contam que antigamente, era comum matarem os mensageiros que levavam más notícias. Não havia whatsapp, telefone, telégrafo e outros meios de comunicação que não fosse o envio de uma pessoa até o destinatário da mensagem, para uma carta selada falando sobre o ocorrido. Quando a notícia não era boa, decapitavam o mensageiro. Mas isso, óbvio, não impedia outras notícias ruins de chegarem até aquela autoridade, elas vinham com outros mensageiros.

 

Quando temos uma emoção ruim, nossa reação instintiva é fugir dela, ignorar esse pensamento que gera uma reação corporal desconfortável, ainda que sutil, na maioria dos casos.

 

Na verdade, nenhuma emoção é ruim, ao contrário, elas são sempre excelentes mensageiras, porta vozes de experiências que nos humanizam. Algumas vezes, elas podem ser indesejadas, mas ruins não são. E a questão a exigir atenção é se ela é apropriada ou inapropriada para a situação que a gerou. Uma mulher que se sente sobrecarregada por cuidar de filhos, trabalhar e ainda estudar, é natural. Sentir-se sobrecarregada, com medo de não dar conta de tudo faz parte. Porém, se ela tem episódios de ansiedade ou tristeza recorrentes, essas são emoções inadequadas para tal situação e isso precisa ser tratado.

 

Se alguém vive um luto e está num episódio de tristeza muito grande, é natural. Se os dias vão passando e essa pessoa não reage, o tamanho dessa tristeza passa a ser inadequado para a situação e ela deve receber ajuda.

 

Um concurseiro que não passa nas provas pode se sentir frustrado, mas se ele passa se sentir em pânico, essa emoção não é apropriada para a situação.

 

As emoções inapropriadas, ou seja, que não combinam com as circunstâncias requerem muita atenção, pois são um sinal de alerta urgente. Elas são mensageiras de más notícias e ignorá-las é matar o mensageiro como na Antiguidade, não vai impedir da mensagem chegar até você. Ela virá por outros meios, com risco até de chegar por meios piores, mais danosos. Por exemplo, se não damos atenção a uma ansiedade inapropriada, ela pode gerar Síndrome do Pânico.

 

Um estado de tristeza constante em alguém que, como costumamos dizer, só tem motivos para ser feliz, exige atenção. Ao invés de ser ignorado ao argumento de que “logo passa” ou de matarmos o mensageiro com remédios, bebida ou excesso de trabalho para esquecer a tristeza, é preciso parar e dar atenção a esse estado emocional.

 

É preciso abrir parênteses sobre os remédios. Algumas dores emocionais são geradas por fatores exclusivamente endócrinos, por mal funcionamento do organismo e será preciso usar medicação. Mesmo nesses casos tudo que digo nesse texto favorecerá a relação do paciente consigo mesmo, podendo ter a dose de medicamento reduzida, mas nunca retirada. Em outros casos, a dor emocional decorre de uma maneira equivocada de interpretarmos a realidade e nesse caso o remédio mata o mensageiro.

 

Veja esse caso, de um artigo do mencionado site Golfinho:

Um jovem trabalha como vice-presidente na empresa da família. Ele sofre de depressão, ainda que as circunstâncias não pareçam justificar essa reação. Ele é casado com uma mulher que ele ama, seu primeiro filho é feliz e saudável e ele ganha o suficiente para proporcionar conforto para a sua família. Essa emoção é um mensageiro. Um mensageiro que está tentando lhe dizer algo sobre a sua vida. Normalmente, ele iria ignorar a sensação, esperando que ela fosse embora, beberia ou tomaria antidepressivos, teria um caso, trabalharia o triplo do tempo - qualquer coisa para não sentir a depressão. Encorajado a sentir essa emoção dentro da disposição de aprender sobre a mensagem sob a depressão, ele começa a perceber que essa emoção é sobre como e onde ele gasta a sua vida de trabalho. No fundo, ele nunca quis estar na empresa e trabalhar na cidade, em um arranha-céu, em um escritório estéril. Ele realmente quer trabalhar com a liberdade do ar fresco, em contato com a terra e a natureza - coisas que crescem. Ele quer ser fazendeiro. Agora, se ele tivesse matado o mensageiro - enterrado a depressão com remédios, bebida, sexo, trabalho, ele nunca teria percebido essa verdade essencial sobre si mesmo e provavelmente acabaria divorciado, separado de seu filho, com uma úlcera ou pior, insatisfeito e desperdiçando o seu potencial para uma vida plena.

 

Depressão, ansiedade, culpa, angústia, melancolia têm muito a nos dizer e precisamos parar tudo e nos perguntar o que essa emoção quer nos indicar? A mensagem vai variar de pessoa para pessoa, mas há padrões universais.

 

O site citado acima nos ensina que:

CULPA é uma mensagem de que você violou os seus próprios padrões. Certifique-se de que você está usando realmente os seus padrões, e de que eles são apropriados para a situação. Você pode modificar e ajustar os padrões e aprender para o futuro.

DECEPÇÃO é a mensagem para mudar as expectativas. A decepção resulta por não termos satisfeito as nossas expectativas.

DEPRESSÃO indica que você precisa mudar algo sobre você mesmo e/ou na sua vida.

DESÂNIMO aponta que você deve abrir mão de alguma coisa.

CIÚME é a mensagem de que o seu bem-estar emocional está ameaçado.

RAIVA mostra a necessidade de parar o abuso - de você em relação a você mesmo ou de outros em relação a você.

PROCRASTINAÇÃO indica que você não sabe como fazer alguma coisa ou não quer fazer.

 

Reconhecendo esses padrões, volte os olhos para si mesmo, para seu contexto atual e descubra o que se encaixa nesse padrão e veja como superar isso. Se precisar, busque ajuda, é para isso que os terapeutas existem.

 

O ser humano é um ser emocional por essência, por isso, ignorar nossos sentimentos não nos faz bem. Muitas vezes, nem percebemos que estamos reagindo emocionalmente de maneira inadequada a determinado contexto. Por isso, não ignore quando alguém te faz alguma crítica. Analise a si mesmo, seus atos e suas reações, sempre que isso acontecer. A visão do outro também é um ótimo mensageiro. Inclusive, quando você perceber em seus filhos essa inadequação ou explosões emocionais, pode trabalhar com eles da mesma maneira, sempre atendendo ao universo lúdico daquela criança ou adulto.

 

Quem assistiu ao desenho Divertida Mente percebeu que, apresentada como personagem nada atraente, ao final da aventura, foi a Tristeza quem organizou os pensamentos da personagem principal, conduzindo-a ao final feliz. A Tristeza é a heroína da história. Esse é um exemplo perfeito para nos lembrar que a positividade em excesso pode ser tóxica, ao nos conduzir a ignorar sentimentos costumeiramente tidos como negativos, mas que na verdade estão carregados de aprendizado.

 

Uma técnica que uso em mim mesma é aceitar a dor emocional. Primeiramente, identifico porque estou me sentindo daquela forma. A seguir, busco recursos em mim mesma sobre como lidar com isso que me levou a tal emoção. É um exercício constante e importante de autoconhecimento. Independentemente das respostas que eu obtiver, sempre tenho em mente que vai passar, mais cedo ou mais tarde, e se for algo que me derruba mesmo, me dou o prazo de 3 dias para reagir, com ou sem a dor que tanto está incomodando.

 

Não há problema no sofrimento. O problema é deixar-se dominar por ele.

 

Reconhecer que as emoções são mensageiros fará com que você as respeite e aprenda que algo se movimenta em você e esse movimento deve fluir para que você siga em frente. Não mate o mensageiro.

    

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Adriana Fernandes é autora do texto e apresentadora do Programa NOTICIANDO, que vai ao ar toda sexta-feira, com notícias comentadas, sem reservas, e dicas de Programação Neurolinguística.