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Então, é Natal!

O Natal é uma festa tipicamente cristã: só quem crê em Jesus, comemora o Natal, ou seja, o nascimento daquele tido como o Salvador da Humanidade, em algumas culturas. Não importa que hoje todos saibam que não foi em 25 de dezembro, nem que não aconteceu exatamente como diz a Bíblia, o importante é festejar a ocorrência propriamente, a vinda ao mundo do menino Jesus, alto, branco e loiro numa terra de gente baixa, morena e de cabelos escuros, mas isso também não importa.

 

Também não importa que para dominar os povos pagãos, a Igreja tenha criado festas cristãs em datas de comemoração pagã. Se você impuser a um povo uma nova cultura espiritual, obviamente ela será rejeitada. Mas se você der novos significados a antigas culturas, você traz o subjugado para o seu lado. Essa tática é consagrada: não ataque, alie-se ao inimigo. Não é de fora para dentro que as mudanças acontecem, é de dentro para fora. E a Igreja Católica soube fazer isso com maestria. E foi também o que fizeram as religiões de matrizes africanas, associando seus orixás aos santos católicos, a fim de terem paz para cultuarem suas entidades.

 

Bom, foi sob essa tática que surgiram as mais importantes festas cristãs. Observe que nenhuma delas é citada na Bíblia. Todas foram criadas séculos após o ano que se julga ter sido o de nascimento do Messias.

 

No período que hoje chamamos de Carnaval, vários povos antigos festejavam o período como de purificação para uma nova etapa que viria a seguir, bom como ocorre na quaresma.

 

Segundo o site Mega Curioso,

A oficialização do Carnaval como data cristã veio na virada do século VI para o VII, depois de muitas tentativas por parte dos religiosos de acabar com as celebrações pagãs na Europa. Foi o Papa São Gregório Magno que implantou o início do jejum da Quaresma na Quarta-feira de Cinzas para observar quem praticava o costume pagão e quem havia adotado a prática cristã.

Com o tempo, a Igreja percebeu que seria impossível acabar com os "exageros" realizados em fevereiro e decidiu adotar o Carnaval como data oficial e colocá-lo como parte do ano litúrgico. Assim, a festa estava liberada — moderadamente, é claro — para que as pessoas pudessem desfrutar de alguns "desejos carnais" antes de se entregarem ao período de recolhimento, restrição e jejum da Quaresma. O nome moderno, então, pode ter tido origem no latim “carnis levale”, que significa “retirar a carne”.

 

E a Páscoa, que cuida da ressurreição de Cristo após sua crucificação na Sexta-feira Santa? Será coincidência ele ter ressuscitado justo na época que marca, no hemisfério norte, o fim do inverno e a chegada primavera, quando pagãos reverenciavam deuses da fertilidade, da época de plantar para depois colher, o conhecido equinóscio da primavera? No Cristianismo, a Páscoa foi criada em 325 d.C.

 

E o Natal? O Natal é celebrado no solstício de inverno, no hemisfério norte. Solstício é quando o sol está mais longe da Terra, marcando naquela região, o fim de um ciclo agrícola, com a chegada do inverno.

 

O site Revista Macau conta que os persas, por exemplo, comemoravam o nascimento de Mitra, o Deus Sol, em 25 de dezembro; os romanos comemoravam entre 17 e 24 do mesmo mês as Saturnálias, dedicadas a Saturno, culminando as festas com as Brumálias, dedicadas ao Deus Baco, no referido dia 25. Na noite mais longa do ano, o Solstício de Inverno, culturas nórdicas homenageavam a natureza e faziam oferendas aos deuses.

 

O site Brasil Escola explica que  vários povos homenageavam o Deus Sol na mesma data tida como nascimento de Cristo, o que foi incorporado pela cultura romana, transformando-se em comemoração ao dia de nascimento do já mencionado Mitra. Outras festas pagãs também influenciaram no Natal, como o Yule nórdico, de quem herdamos o costume de enfeitar o pinheiro.

 

Os cristãos instituíram as comemorações pelo nascimento de Jesus a partir do século II e a primeira menção à data de 25 de dezembro foi no ano de 354, no século IV.

 

Como mencionamos no programa Quem Manda São Elas, de 21/12/20, nem os próprios cristãos incorporaram de verdade a intenção católica de transformar essa data num momento de reflexão e introspecção.

 

Em 1647, os protestantes, que haviam tomado o poder na Inglaterra, derrubando o Rei Carlos I, acabaram com todos os feriados religiosos, em especial com o Natal, cuja celebração durava 12 dias de muita comilança e bebedeira. Impuseram, por decreto, que a data era momento de reflexão e não de festa. Mas a população não obedecia, mesmo com o exército nas ruas intimidando o povo. Somente em 1660, com a restauração da Monarquia na Inglaterra, Escócia e Irlanda, o decreto caiu e o Natal voltou a ser comemorado. Por isso, quando hoje vejo as pessoas reclamando que atualmente ninguém respeita a verdadeira intenção do feriado de Natal, que só pensam em comer e beber e bla bla bla, “entrego” o certificado de ignorância, pois como se vê, Natal nunca foi nada além de muita bebedeira e comilança.

 

E há ainda um agravante: nessa propaganda que insiste em transformar o Natal em festa da família, é recorrente o agravamento de dores emocionais, visto que muitas pessoas não vivem esse sentimento. Ou porque a família é desunida ou porque não têm família, fato é que somos bombardeados com lamentos de quem vê no Natal um momento de dor e frustração.

 

Se você se enquadra neste grupo de pessoas melancólicas no período natalino, eu te pergunto: tá esperando o quê para fazer sua festa?

 

Pode até doer a ausência de pessoas queridas, mas isso não te impede de comemorar qualquer coisa que queira atribuir a esta data. Eu, por exemplo, não sou cristã, às vezes passo Natal com minha mãe, às vezes não, mas sempre faço minha comidinha especial, que de especial não tem nada, exceto lembranças gostosas. Passo o ano inteiro comendo maionese, farofa e pernil, mas se faltar esses pratos, aí sim meu Natal é uma tragédia. Ah, e tem que ter também pêssego em calda com creme de leite. Se estiver animada, faço rabanada também. E se estiver sozinha, como aconteceu agora em 2020, faço só pra mim. É a minha comemoração! De quê? Não sei, só sei que me faz feliz, me traz bem estar. Daí, juro que vou passar a noite assistindo filmes e séries e... Apago antes da meia noite rs

 

Besta de quem prefere passar o Natal amargurado por questões que não pode solucionar. Ou, se pode, não o faz.

 

Pare com essa bobagem de reforçar suas tristezas e frustrações no período natalino. Garanta para si mesmo que ano que vem será diferente e aprenda a comemorar consigo mesmo, esteja ou não rodeado de pessoas.

 

Hoje é dia 25 de dezembro de 2020, estou sozinha, escrevendo esse texto para meu programa que vai ao ar logo mais às 20 horas. Estou com a música no talo, como se diz. Entre um parágrafo e outro, levanto, como panetone, sento e escrevo mais um trecho, levanto e danço, sento e escrevo outro trecho, e tá uma delícia. Eu sou feliz em qualquer época do ano, com ou sem motivo para isso. Eu escolhi ser feliz até quando estou infeliz. Faça o mesmo!

 

Ah, Adriana, mas para mim, verdadeiramente, é um momento de introspecção. Tá bom, direito seu, faça seu retiro, suas reflexões, vá à Igreja, mas não tem que obrigar ninguém a fazer a mesma coisa!

 

Poxa, Dri, mas eu queria ter uma família animada, que pintasse e bordasse. Meu amor, a gente não manda na vida de ninguém nem pode obriga-los a querer o mesmo. No máximo, você pode fazer a sua festa e convidar todo mundo. Se vier alguém bem, se não vier, amém. Chore, esperneie, coma tudo, dance sozinha e aprenda a lição.

 

Em especial, nesse ano de 2020 em que tudo foi diferente, mais pesado, mais complicado, cheio de inseguranças, medos, perdas e contrapartida mais criativo, pra quê trazer a mesma frustrações e tristeza de sempre? Reivente-se. Ano Novo tá chegando, faça uma promessa de que vai ser diferente e que você não permitirá que antigos dissabores se perpetuem nos novos tempos.

 

Bora ser feliz, com Jesus, sem Jesus, com família, sem família, com amigos, sem amigos, com reflexão, sem reflexão, com motivos para estar triste, mas com a certeza de que é muito bom estar feliz, mesmo sem motivo nenhum pra isso. Aprenda! É uma questão de vontade e treino.

    

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Adriana Fernandes é autora do texto e apresentadora do Programa NOTICIANDO, que vai ao ar toda sexta-feira, com notícias comentadas, sem reservas, e dicas de Programação Neurolinguística.

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